A origem humana
origem divina do ser humano
A nossa «pessoa», tal como saiu das mãos do Criador, apresenta dificuldades à definição. Contudo, se admitirmos a sua origem divina, gostamos de a representar como moralmente pura, bela e livre, ainda que submetida a leis justas. Sem dúvida, é devido a que, na prática e ao avaliá-la pelo nosso tipo de vida, em muito pouco ela corresponde a estes qualitativos.
A primeira brecha aberta nesta doutrina da origem divina do ser humano e sobretudo na sua semelhança com o Criador foi a que Darwin pensou ter descoberto. Ao procurar reconduzir o homem à categoria de animal pela noção da transformação das espécies, este investigador esforçava-se abertamente em demolir as verdades reveladas pela Bíblia. As suas conclusões tiveram também um eco extraordinário justamente porque davam certa aparência de razão aos que queriam viver à sua maneira, desligar-se de peias morais de que procuravam libertar-se.
Que os nossos contemporâneos creiam firmemente que todas as espécies animais tenham saído uma das outras, embora assim não tivesse sido muito provavelmente, não é muito grave. O pior foi que com esta teoria lhes tivessem inculcado o culto de uma nova trindade: acaso, luta e progresso. E esta trindade é a divindade do mundo moderno.
Desde a infância, temos recebido lições que nos ensinam a crer no acaso, a entrar em luta a propósito de tudo e de nada, e a esperar todas as vantagens graças à magia omnipotente da ciência. Nestas condições, compreende-se ávido de realizações sempre mais extraordinárias. Um tal estado de coisas e, sobretudo, um tal estado de espírito, só podem produzir conflitos de amor-próprio, crises de inveja, sentimentos de inferioridade e de culpabilidade.
Francisco Anjos

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